Caracterização do meio envolvente onde se insere o Agrupamento nº1 de Portalegre


O Agrupamento de Escolas Nº 1 de Portalegre compreende nove escolas,
situadas em cinco freguesias do concelho de Portalegre, a saber, Alegrete,
Reguengo, São Julião, Urra e Sé. Estas freguesias abrangem a parte Sul/Sudeste do concelho, numa proporção que se aproxima dos dois terços do mesmo.
Em termos populacionais, e segundo os dados constantes nos Censos de 2001,
estas cinco freguesias contam com 15315 habitantes representativos de 60% da
população do concelho.
As cinco freguesias são bastante distintas entre si. Enquanto quatro delas são
predominantemente rurais, a quinta, a Freguesia da Sé, é essencialmente urbana,
sendo, com 9987 habitantes, a mais populosa e densamente povoada.
Assim, as actividades predominantes divergem de freguesia para freguesia, tal
como o peso de cada uma para a estrutura do emprego e desemprego do concelho.

1.1.1. Alegrete

Esta é uma freguesia predominantemente rural, com 2055 habitantes numa área
de 87,6 Km2, o que corresponde a uma densidade populacional de 23,9 habitantes por quilómetro quadrado. Houve uma quebra de 41 habitantes no último decénio, traduzida num decréscimo populacional de dois por cento.
Alegrete, já referenciada pelos romanos pela denominação Alegretum, foi
mandada povoar por D. Dinis em 1319 e foi elevada à categoria de vila, pelo mesmo rei, no ano de 1357. Na sequência da reforma de Mouzinho da Silveira, perdeu a categoria de Concelho em 1855.
Actualmente, esta freguesia possui três estabelecimentos de educação e ensino
público: um Jardim-de-infância da Rede Privada, afecto à Santa Casa da
Misericórdia, a E.B. 1 de Alegrete e a E.B. 1/J.I. de Vale de Cavalos.
Agrupamento de Escolas e Jardins-de-Infância nº 1 de Portalegre.
A par dos equipamentos educativos, Alegrete dispõe ainda de outros
equipamentos sociais de alguma relevância: uma farmácia, uma extensão do Centro e Saúde e um lar de Terceira Idade, propriedade da Santa Casa da Misericórdia.
As infra-estruturas existentes no domínio económico são pequenos comércios de
proximidade e algumas unidades de transformação de produtos agrícolas
tradicionais da região.
A agricultura e a exploração florestal representam as principais actividades
económicas da freguesia, para além das pequenas unidades de transformação já
referidas, como a torrefacção de café em Vale de Cavalos, que é a segunda
localidade de maior dimensão da freguesia.
A sua estrutura de emprego representa 7,8% do concelho, enquanto o
desemprego significa 7,1% do mesmo, para idêntica área geográfica.
A freguesia de Alegrete está inserida na reserva do Parque Natural da Serra de
São Mamede.

1.1.2. Reguengo

Esta é uma freguesia predominantemente rural, com 712 habitantes, numa área
de 28,6 Km2, o que corresponde a uma densidade populacional de 24,9 habitantes por quilómetro quadrado. Teve uma quebra de 128 habitantes no último decénio, traduzida num decréscimo populacional de 15,2 %. Possui um estabelecimento de educação e ensino, a E.B. 1/J.I. de Reguengo.
Esta freguesia, localizada na Serra de Portalegre, a apenas sete quilómetros da
sede do Concelho, não se afirmou como uma periferia da cidade; porém, possui
alguma população ligada profissionalmente à cidade, embora mantendo pequenas
actividades secundárias ligadas à agricultura tradicional que constituem uma
“retaguarda protectora” a nível da economia familiar. A sua proximidade a
Portalegre condiciona também o tipo de actividades económicas e de serviços que podemos encontrar. Assim, o comércio tem pouca expressão, ficando reduzido a pequenas tabernas/mercearias, que sustentam uma procura pouco exigente. Contudo, a produção vinícola adquire uma particular relevância, existindo já diversos pequenos produtores e começando a aparecer algumas marcas de maior dimensão.
Reguengo dispõe ainda de um polidesportivo, que é propriedade da Junta de
Freguesia, de uma extensão do Centro de Saúde e de um posto de medicamentos.
A sua fraca relevância económica é atestada na estrutura de emprego e
representa, apenas, 2,8% da estrutura do concelho, enquanto o desemprego significa 2,1% do mesmo, para idêntica área geográfica.
A freguesia de Reguengo está inserida na reserva do Parque Natural da Serra de
São Mamede.

1.1.3. São Julião

Esta é uma freguesia quase exclusivamente rural. Existem 444 habitantes numa
área de 42,2 Km2, o que corresponde a uma densidade populacional de 10,5
habitantes por quilómetro quadrado. Teve uma quebra populacional de 118
habitantes no último decénio, o que se traduz num decréscimo populacional de 21%. Cerca de quarenta por cento da sua população é idosa.
Claramente no interior da Serra de S. Mamede, muita da sua vivência é marcada
pelo isolamento a que os difíceis acessos induzem. Tradicionalmente ligada ao
mundo rural e a uma agricultura pobre de subsistência, teve o seu apogeu
populacional e comercial durante os anos correspondentes à Guerra Civil espanhola; a sua posição fronteiriça e isolada permitiu o desenvolvimento de muitos negócios e contrabando ligados às carências da população espanhola.
Posteriormente a estes anos do século XX, a freguesia perdeu a sua vitalidade e a maior parte da sua população.
Actualmente, a actividade agrícola ligada à produção de cereja tem permitido
uma pequena visibilidade a nível concelhio. Marcada pela sua situação de pequena povoação no interior da serra e distando 21 km de Portalegre, é a mais distante e com piores acessos das sedes de freguesia. A sua posição fá-la estar, por vezes, mais ligada a outros concelhos limítrofes, como é o caso de Marvão e  Castelo de Vide.
Destaca-se ainda a sua produção de madeira.
Possui apenas um estabelecimento de educação e ensino – E.B.1/J.I. de
Montinho. Para além destes equipamentos, São Julião possui um Centro de Dia de apoio a idosos, uma extensão do Centro de Saúde e um posto de venda de
medicamentos.
A atestar a sua insignificância económica, regista-se que a sua estrutura de
emprego representa, apenas, 0,9% da estrutura do concelho, enquanto o desemprego significa uns residuais 1,2% da estrutura do mesmo.

1.1.4. Urra

Esta é uma freguesia rural, com 2117 habitantes numa área de 130,7 Km2, o que
corresponde a uma densidade populacional de 16,2 habitantes por quilómetro
quadrado. Teve uma quebra populacional de nove habitantes no último decénio,
traduzida num decréscimo populacional de 0,42 %. É a maior freguesia do concelho e situa-se a Sudoeste do mesmo.
Originalmente chamava-se “Sant’Iago de Caiola”, nome que lhe advinha do seu
orago São Tiago e da linha de água que lhe é próxima, o Rio Caia. Perdeu este
topónimo para “Monte da Urra”, sendo “Monte” uma designação comum para
povoado, e ficando, mais tarde, a denominação restrita a “Urra”, que significaria
telheiro ou casa de arrecadação de cereais; passou à categoria de freguesia há mais de um século, sendo a terra de origem do Padre Diogo Pereira Sotto Maior, autor do “Tratado da Cidade de Portalegre”.
Distando cerca de sete quilómetros da cidade de Portalegre, esta freguesia tem
vindo a atrair algumas populações que, mantendo a sua ligação ao mundo rural, a
conciliam com actividades localizadas na sede de concelho. Porém, a agricultura
continua como fulcro da sua economia. O pequeno comércio de proximidade,
unidades de restauração e algumas unidades industriais, de tipo familiar, ligadas à
transformação de carne de porco, marcam a sua presença na freguesia.
Possui três estabelecimentos de educação e ensino, um da rede privada e dois da
rede pública. No primeiro, Centro de Bem Estar Social de Urra é facultada a
educação pré-escolar. As duas escolas da rede pública são a E.B. 1/J.I. da Urra e a E.B. 1 de Caia e Nave Longa.
Existe também um posto de venda de medicamentos em Caia, a menos de um
quilómetro da Urra, uma extensão do Centro de Saúde e um Centro de Dia de apoio a idosos.
A sua estrutura de emprego representa 8,7% do emprego no concelho, enquanto
o desemprego representa 7,1%.

1.1.5. Sé

Esta é uma freguesia essencialmente urbana, sendo a mais populosa do concelho,
com 9987 numa área de 11,22 Km2, o que corresponde a uma densidade
populacional de 916 habitantes por quilómetro quadrado. Teve uma quebra
populacional de 308 habitantes no último decénio, correspondente a um decréscimo de três por cento.
As principais actividades económicas concentram-se no turismo, comércio,
serviços, produção vinícola, exploração de cortiça, construção civil e metalurgia. É, também, na freguesia que se situa a zona industrial da cidade.
Esta freguesia possui três estabelecimentos de ensino básico, as escolas
E.B.1/J.I. dos Assentos, E.B. 1/J.I. do Atalaião e E.B. 2, 3 José Régio. Estão, ainda, nos limites da freguesia, as Escolas Superiores de Educação e de Tecnologia e Gestão, assim como os serviços centrais do Instituto Politécnico de Portalegre, a Escola de Hotelaria e Turismo, a Escola de Artes do Norte Alentejano e a CERCI.
Tem diversos equipamentos sociais, comerciais e industriais, além de diversos
edifícios de elevado valor histórico, dos quais se destacam a Sé Catedral de
Portalegre (edifício renascentista dos séculos XVI/XVII), o antigo edifício dos
Paços do Concelho, as Janelas Manuelinas, o Convento de Santa Clara, o Palácio Amarelo e o Castelo Medieval, entre outros.
A importância desta freguesia para a economia do concelho, é fundamentada
pelo facto de o emprego que aí se verifica representar 41,4% de todo o relativo ao concelho, ao mesmo tempo que 46,8% do desemprego está também aí situado.
Do ponto de vista residencial, para além de diversos bairros de menor dimensão
e algumas zonas no centro histórico, há a destacar, pela sua importância, os bairros do Atalaião e dos Assentos, os dois maiores da cidade, e onde reside parte importante da população de Portalegre.
O bairro do Atalaião, aquando da sua construção, era constituído por habitação
social e destinado a pessoas de baixo rendimento, a empregados fabris e a polícias.
Ainda hoje é um bairro com características particulares, mantendo algumas
tradições que lhe conferem uma identidade própria, com uma população envelhecida que aí vive há algum tempo.
O bairro dos Assentos, pelo contrário, é um bairro relativamente recente, tendo
sido fundado em 1979, que tem registado um crescimento populacional bastante
elevado. Tendo nascido como um bairro social para albergar as muitas famílias que regressaram aquando da descolonização, mantém, ainda hoje, essa característica bem vincada. Ao crescimento acelerado do bairro não correspondeu a construção das infra-estruturas de apoio à comunidade, gerando-se assim diversos problemas de cariz social.
De acordo com diversos projectos que aí têm surgido, os maiores problemas
deste bairro situam-se no desemprego acentuado, nos baixos índices de escolaridade e na falta de qualificação profissional por parte da população activa, aliados a uma “subsídio-dependência”, a um fraco aproveitamento escolar, à existência de condições de vulnerabilidade a comportamentos desviantes e à falta de respostas para crianças e jovens em risco.
É de salientar que, no ano de 2007, de acordo com dados recolhidos pelo
Projecto Enraizar junto do Bairro dos Assentos, as situações que se verificaram com maior frequência, no que diz respeito a factores de risco, e que mereceram o
acompanhamento técnico dos projectos a trabalhar no terreno, foram as seguintes:
Alcoolismo; Abandono Escolar; Ausência de Hábitos de Trabalho; Carências
Alimentares; Carência de Competências Sociais e Pessoais; Carência de
Experiências Relacionais; Comportamentos Desviantes; Falta de Competências
Parentais; Falta de Higiene; Insucesso Escolar; Maus-tratos; Monoparentalidade;
Negligência; Perturbações Físicas, Neurológicas e/ou Psicológicas; Pobreza.
É precisamente neste bairro que se insere a Escola Básica 2,3 José Régio, que
responde às necessidades educativas não só deste bairro como das áreas referidas anteriormente.

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